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NOME COMPLETO

Eliana Minillo

NOME ARTÍSTICO

la Minnillo

SITE

www.facebook.com/laMinillo/ti
meline

GALERIA LA MINNILLO

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PERFIL

ELIANA MINILLO OU O ENIGMA DA PINTURA

A obra de Eliana Minillo apesar de sua estrutura muito elaborada cria uma série de peregrinações intencionais:prolongadas, apoiadas e controladas, apesar do entusiasmo, que a fazem explodir em fagulhas paradoxais.

O constrangimento e a efusão , unidos num lirismo especial que não se encontra na Europa. Apesar de seu back-ground- mais precisamente italiano, holandês e russo- a obra é própria da encontrada em países como Argentina e Brasil. O devaneio é orientado de modo que a "pele" de cada pintura se desdobre em um fascinante ritual. Nele a paixão transborda de maneira controlada. O tratamento abstrato não é em vão. Ele é que permite a Eliana Minillo encontrar sua medida. Nos cortes, em zigue-zagues, em ascensão a fim de riscar o branco defensivo da tela, o espaço se desdobra. Nas conjunções de linhas, deixa eclodir geometrias de fluxos íntimos.

A artista o simplifica em um buque de cores. A vida surge em êxtase, mas guarda seu mistério.
Cada pintura torna-se uma maneira de perder o equilíbrio. O que parece decorar não tem, portanto, nada da ordem das aparências. Através do fluxo de cores o invisível insiste em manter a ordem das estruturas inevitáveis. Tudo está cheio de promessas. Uma circulação se produz e, portanto, o observador está como que frente a um muro muito alto, intransponível. A própria essência da imagem permanece então o enigma.

O olhar está imerso em uma interrogação. Procurando saber do que é feito o brilho ao qual ele lambe com os olhos. Diante daquilo sabiamente estruturado resta uma incerteza. Os jogos de linhas e cores criam um casal onde o primeiro guarda o sonho do segundo e vice-versa. Aquilo que permanece escondido está diante de nós. Mas o espaço pictórico é menor que a unidade capaz de fazer surgir um efeito de pele interior.

Temos aqui um teatro tão imenso quanto íntimo, objetivamente subjetivo. Tanto quanto firme ele flutua no seio de uma perfeição formal. Se bem que podemos indagar se tal obra não encarnaria por excelência o enigma da mulher ao mesmo tempo pecadora e santa, asceta e sensual.
Cada tela introduz ao centro de uma pura mitologia fantasmagórica nesta mistura indissociável de cores e de linhas, colocando a questão essencial , a saber: “ De onde surgem essas imagens?” O observador pode tão somente ficar em expectativa. Em estado de concentração.
Resta apenas afirmar que , essa erupção de espasmos plásticos se dissolve e renasce a cobiça tanto mística quanto sensorial. Em conseqüência, Eliana Minillo nutre nossos desejos pagãos de participação carnal, sensual, telúrica, dionísica e panteísta. Atando ao mesmo tempo a uma exigência de espiritualidade. A sua maneira, a artista cria através de sua pintura um desejo especial. Longe de ser uma simples fantasia, aberta à fantasmagoria capaz de fazer voar a nossa imaginação.
O impossível abraço do mundo , fragmenta-se numa festa , onde a artista tanto fixa quanto põe em movimento. J-P Gavard-Perret. Doutor em literatura, professor da Universidade de Savoie, em Chambéry-França membro do Centre de Recherche Imaginaire et Création.Especialista em Imagens do séc XX e da obra de Samuel Beckett.