Perfis

ESPAÇO GABRIELA MAMODISI

GABRIELA MARIA MORALES DIAZ

https://www.7gama.com/ LICENCIAR OBRA
A artista Gabriela Mamodisi (1986) vive e trabalha na cidade de São Paulo. Seu percurso artístico olha para memórias, experiências antropológicas e sustentabilidade. A pesquisa se desdobra no campo das áreas litorâneas, na produção de esculturas, land art, ecoperformance e dança. Gabriela Mamodisi, brasileira naturalizada Chilena, é uma artista visual, performer e pesquisadora das poéticas da natureza cuja obra ressoa como um diálogo sensível e profundo entre o humano e o ambiente natural. Residente e atuante na metrópole paulistana, sua trajetória é um entrelaçamento de memórias ancestrais, identidade genética, investigações antropológicas e um compromisso ético com a planetariedade — alicerces que constituem um universo artístico plural, enraizado em territórios costeiros, articulado pela escultura, land art, ecoperformance e dança ritualizada. De formação intuitiva desde a infância, sua trajetória tem início na adolescência, com experimentações na pintura e no graffiti, por meio de intervenções urbanas que dialogavam com as metamorfoses do espaço público. Já nesse momento, a artista demonstrava interesse pelas transformações do território e pela ancestralidade, temas que se tornariam centrais em sua prática. Em 2012, fundou a Sustentabiliarte, iniciativa que promove a integração entre arte, educação ambiental e práticas ecológicas, inspirada pelos princípios da Carta da Terra. Sua atuação parte de investigações antropológicas, identitárias e ambientais, informadas por uma herança genética e cultural de povos originários: mesoamericana, iorubá, asquenazes e romani. Desde 2019, Mamodisi concentra sua pesquisa em um território específico do litoral norte paulista, sobretudo em Ubatuba, onde documenta o avanço do mar e suas implicações ambientais. Neste contexto, coleta madeiras brutas tombadas pelas marés — corpos lenhosos impregnados de sal e tempo — que passam a integrar suas esculturas junto a elementos dos reinos vegetais, minerais e animais, como sementes, musgos, colmeias, argilas, metais e resinas. Suas obras operam como relicários da impermanência, ressignificando materialidades ancestrais frente às transformações climáticas e à erosão de identidades territoriais. Destaca-se em sua produção a série dedicada ao ciclo das abelhas, polinizadoras essenciais à vida planetária, onde ceras e colmeias tornam-se metáforas da fecundidade, fragilidade ecológica e comunhão com o todo. Paralelamente, sua pesquisa performativa aciona o corpo como território de memória, reconexão e reexistência — evocando gestualidades de povos originários em rituais que tensionam o visível e o invisível, o político e o sagrado. A obra de Gabriela Mamodisi, em profunda sintonia com os princípios do Manifesto do Naturalismo Integral (1978), propõe a arte como gesto vital de escuta planetária, reencantamento do mundo e reinvenção de futuros possíveis.

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