ZILAMAR TAKEDA - A vida em forma de arte




© TAKEDA, ZILAMAR / AUTVIS, 2016
Externo e Interno

 

 
Zilamar Takeda é conhecida por suas obras inspiradas em temas orgânicos. Suas esculturas, pinturas e colagens são feitas com materiais como tecidos, cera de abelhas, minerais e até fibras animais. A artista, que tem suas obras protegidas pela AUTVIS, explora a vida e as composições da natureza de forma delicada e expressiva.


Na entrevista abaixo, ela fala sobre seu processo criativo, suas obras favoritas e ressalta a importância de estar atenta aos direitos autorais.

 

AUTVIS: Quando você percebeu que queria seguir uma carreira artística?
Zilamar Takeda: Foi no final dos anos 90, começo de 2000. Com minhas filhas já mais crescidas, eu ministrei aulas de tecelagem e tapeçaria em diversos teares durante alguns anos. Havia teares grandes de pedal na sala e na garagem, que era na verdade um espaço adaptado para atelier desde 1992. Comecei a frequentar aulas de Arte Craft expressão e movimento fantástico lideradas a princípio por Willian Morris. Os cursos eram sempre acompanhados pela sensei Suzuki Noriko. Trocávamos estudos e práticas de tecelagem artística livre, com desenhos, às vezes, feitos à mão e aplicados nos tecidos criados também manualmente. Além das aulas, os encontros eram regados de histórias da cultura japonesa. Na época, sensei tinha quase 80 anos, com muita experiência para passar. A partir daí, comecei participando de exposições organizadas pelo grupo e também em eventos de Arte Craft com as artes plásticas que são realizadas no Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa) anualmente. Com o entusiasmo de alguns amigos em relação às minhas obras, e também recebendo visita de artistas e até de um curador ver meus trabalhos, comecei a ter gosto e interesse em mostrar minhas obras.


 

© TAKEDA, ZILAMAR / AUTVIS, 2016
Mulheres

 


AUTVIS: Em quais temas você busca inspiração?
ZT: Primeiramente, costumo pensar em orgânicos. Penso dentro, depois fora. Normalmente, quando estou buscando inspiração para criar, procuro quase sempre em mim. Lembranças passadas longínquas e fatos. Quando penso em fazer algo, me vem a imagem de vegetal, de animal, de fibra, do orgânico, de tecido que eu possa desmanchar, de corpo, do tecido pronto (geralmente de fibras naturais), de sangue, de tinta, de tingimento vegetal, misturas de tudo que for possível para se tornar algo. Depois, vejo onde posso aplicar.

 


AUTVIS: Qual é a sua obra favorita?
ZT: Foi uma feita em 2011. O título é "Firmeza", escultura feita em um manequim com jeans, fibras da lã e da seda. Tudo isso forma uma árvore. Ela foi importante para mim porque recebi um convite para criar algo e depois apresentá-lo com artistas que já admirava na "A casa contemporânea". Fiquei feliz pelo que consegui criar. Mais uma vez, fui levada para minha infância, quando aprendi um verso com meu irmão, na época, também artista. Com raízes grossas e longas, “Firmeza” respondeu alguns questionamentos na época.
AUTVIS: Quais são os seus materiais favoritos?
ZT: Meus materiais favoritos são a cera de abelha (encáustica cera com pigmentos) e fibras. Descobri isso de forma autodidata e fui estudando com artistas internacionais, com cursos online e chats, para tentar abrir mais possibilidades. Comecei a seguir artistas brasileiros que poderiam me dar também algo a mais. Agora me sinto muito feliz por conseguir misturar esta técnica com outros materiais que gosto muito. Entre eles, fibras animais, vegetais, panos.

 

© TAKEDA, ZILAMAR / AUTVIS, 2016
Firmeza



AUTVIS: Existe uma história por trás da obra “Stitched Emotion”?
ZT: Sim, existe uma história. O tema era Ar. Eu caminhei um tempo indecisa, perdida em relação a quem eu era como artista ou onde eu poderia me firmar. Iludida e transitando entre espaços como arte têxtil, Arte Craft e também na arte visual. Pensamentos de haver um título me incomodavam. Achei interessante o evento da World Textile Art e o que me inspirava em participar era justamente esse impasse, o conflito interno. A Stitched Emotion foi o modo de representar o que eu era na verdade, com os trapos pintados, tingidos e embrulhados. Fiz com ajuda técnica de meu marido cardiologista e apoiador da minha arte.

 


AUTVIS: Com quais materiais “Stitched Emotion” foi feita?
ZT: Foi feita com lã de carneiro maciça de cor natural crua. Usei a técnica felting com água, fios de costura de algodão, pedaços de trapos usados para limpar algumas tintas acrílica e guache, fio rústico de algodão, pedaços pequenos de tecidos de seda tingida com vegetais (como cebola e pau-brasil) e fibras da seda natural.

 

© TAKEDA, ZILAMAR / AUTVIS, 2016
Stitched Emotion

 


AUTVIS: Você está trabalhando em algo específico no momento?
ZT: Além de estar trabalhando com a série de encáustica em madeira, estou pesquisando e explorando o uso e aplicação de pele animal, como tripa de boi, há cerca de um ano. Estou muito envolvida com esse material. Criei uma instalação com as tripas de 800 peças pequenas penduradas e achei o trabalho muito inusitado e legal de manusear.

 


AUTVIS: Você utiliza técnicas de Mixed Media Art. Como é esse processo?
ZT: A Mixed Media Art é uma técnica mista. São vários tipos de materiais juntos. Por exemplo, quando você aplica objetos ou texturas. É quando você adiciona no trabalho vários meios e dá a personalidade dele. Seria a arte oposta à clássica.

 

© TAKEDA, ZILAMAR / AUTVIS, 2016
Escrúpulos (Série Peles) - obra que participou do 3° Salão de Outono da América Latina.


 


AUTVIS: Como é a sua relação com a AUTVIS e qual é a importância da proteção dos seus Direitos Autorais?
ZT: Eu ainda sou nova no contato com a AUTVIS. Todas as vezes que perguntei algo ou precisei de uma informação, recebi respostas e colaboração. Quando conheci a AUTVIS, achei importante manter-me inscrita, porque é necessário ter alguém que cuide do que é meu. Isso porque eu não saberia como agir sozinha caso algo acontecesse em relação a uma obra. Ter minhas obras expostas na galeria da Associação também ajuda a dar visibilidade aos meus trabalhos.

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AUTVIS: Quais são as expectativas para o futuro de sua carreira artística?
ZT: Eu quero provar outros caminhos, continuar minhas pesquisas de novos materiais, amadurecer mais minha criação, aprender mais, ajustar os pensamentos e ações mais assertivas em relação à divulgação e participação em salões e mostras importantes que ainda não consegui entrar. Tentar apresentar projetos para apoio também é uma intenção. 


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© TAKEDA, ZILAMAR / AUTVIS, 2016
Party dress



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autor: Beatriz Vaccari - Agência Entre Aspas -

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