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Poesia para os olhos: Arcoverde retrata as manifestações populares nordestinas

©Moreira da Silva, Claudio Jose - Cacau Arcoverde / AUTVIS
Brinquedos do Sertão – ano: 2013

 

 


Nascido no sertão de Pernambuco, Cláudio José Moreira da Silva tem suas raízes tão bem plantadas em Arcoverde, que até adotou o nome da cidade. Hoje, conhecido como Cacau Arcoverde, ele mistura música e literatura em um grande caldeirão de cultura popular. Suas obras lembram as típicas e tradicionais expressões nordestinas. São xilogravuras, mandalas, colagens e até a fabricação de instrumentos de percussão afro-brasileira – verdadeiras obras de arte.


O artista de 42 anos, filiado a AUTVIS, teve contato com arte e cultura desde criança. Em casa, foi incentivado pelo pai, João José da Silva, e pelo mestre Lula Calixto que o ensinaram a gostar de boa música e a tocar instrumentos de percussão. Autodidata, Cacau tem se aperfeiçoado nos 20 anos de trajetória pelo Brasil e o mundo afora. “As pessoas que conheci nesse tempo contribuíram muito com o meu amadurecimento”, conta. Suas principais referências artísticas são os mestres da tradição popular, com suas diversidades de ritmos e movimentos; e a literatura de cordel.

 

 

Em entrevista à AUTVIS, Cacau falou sobre o local onde nasceu, sua família e o aprendizado que os aspectos culturais do nordeste trouxeram para sua trajetória artística. Também contou sobre o grupo artístico Jaraguá Mulungu, do qual faz parte, e as obras que ilustram essa matéria.

 

 


AUTVIS - Como o local onde você nasceu influencia a sua arte?

Cacau Arcoverde
- É um local rico em cultura tradicional com diversidade de ritmos, danças e teatro. Minha principal influência vem da minha árvore genealógica. Minha avó materna, Amália do Espírito Santo, era Mulher Rendeira e meu avô, Xico Moreira, foi vaqueiro, aboiador e ainda cantava coco. Meus avós paternos também eram muito ligados à cultura. Minha avó, Vovó de Nazaré, era rezadeira e meu avô, Antônio Macionilio, Brincante de Maracatu Baque Solto. Da minha infância no sertão, fiquei com a memória repleta de imaginários populares e tradicionais do nordeste do Brasil em várias expressões artísticas que se manifestam por essa região do Sertão do Moxotó.

 

 
 

AUTVIS - Como é a vida artística na sua cidade?

Cacau
- A vida artística em Arcoverde, no sentido de inspiração e criação, é ótima. Porém, quando conseguimos agendar uma exposição ou aprovar um projeto nos editais, é melhor irmos para outros centros nacionais e internacionais para divulgação e distribuição do trabalho.

 

 


AUTVIS
– Você também faz parte do grupo musical Jaraguá Mulungu. Como a música influencia as artes plásticas e vice-versa?


Cacau
- O projeto musical vai completar 14 anos no mês de Agosto. É uma sinergia natural, a música inspira a pintura e a pintura inspira a música de forma mágica, criativa e encantada. Na verdade, sinto que uma arte completa a outra de um jeito harmonioso.

 

 
 

AUTVIS – Qual contexto a obra Brinquedos do Sertão (foto) foi criada?

Cacau
– Essa Xilogravura foi feita neste ano para concorrer no edital para cartazes de um festival de arte aqui em Pernambuco. Este desenho representa algumas manifestações culturais que permeiam a cidade de Arcoverde, no Sertão do Moxotó, como o Bumba-meu-Boi, o Samba de Coco e o Jaraguá.

 

 
 

AUTVIS – Quais as técnicas usadas na criação da obra Fulô da Fuloresta (foto)?

Cacau
– Este estandarte com a mandala no meio foi pintado com inspiração na xilogravura, que está no centro, com búzios costurados à mão e a técnica do pontilhismo. O símbolo da flor, que representa uma estrela e um sol, também é bordado na gola dos caboclos do Maracatu Baque Solto da Zona da Mata.

 

 
 

AUTVIS – Por fim, como você lida com a questão dos direitos autorais? Para você, qual a importância da AUTVIS?

Cacau
- Procuro sempre me informar sobre esse tema. A AUTVIS tem uma importância muito grande na nossa trajetória, dando suporte com informações e orientações sobre direitos autorais e divulgando nosso trabalho.

 



Confira  AQUI   na galeria do artista mais de suas obras. 

Autor: Linhas Comunicação

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