News

JÚLIA KRANTZ

 ©KRANTZ, Júlia/ AUTVIS
Banco Bigorna (2004)

 



A arte de encontrar as formas nos segredos da natureza


Uma árvore nunca será apenas uma árvore sob o olhar da arquiteta paulistana Julia Krantz, filiada à AUTVIS. Formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), Julia se apaixonou pelas amplas possibilidades e curvas que a natureza guarda quando ainda era criança. “Meu interesse por arte nasceu comigo, por influência dos meus pais, que sempre me levavam a teatros, concertos, exposições etc”, diz. Aos 10 anos, inspirada pelo filme Help, dos Beatles, desenhou uma cama com degraus, igualzinha à que John Lennon se deitou no longa. Com o apoio da mãe, que encomendou o projeto do móvel, a arte ganhou vida e a paixão de Julia também. “Gosto de madeira desde pequena por influência principalmente de minha mãe alemã, que sempre buscou esse material como fonte de decoração da nossa casa, por seu caráter acolhedor.”

 


Tempos mais tarde, no terceiro ano de faculdade, a moça continuava dando asas à sua imaginação e inventou a cadeira Tripé, sua entrada para o mundo dos móveis. “Decidi trabalhar com isso quando tive que construir esse protótipo de cadeira para restaurante”, conta. O projeto foi tão bom que garantiu a Julia o prêmio de menção honrosa em um concurso para estudantes, além de marcar, definitivamente, o início de sua carreira como designer. Hoje, a moveleira é uma verdadeira enciclopédia quando o assunto é madeira. A artista sabe identificar de onde vem e como reage cada espécie, usando seus conhecimentos para transformar a natureza morta em mobílias e esculturas. Seus móveis orgânicos, produzidos com madeiras certificadas, trazem formas leves e sólidas ao mesmo tempo. São convidativos e têm um encaixe confortável ao corpo humano. A inspiração para isso? “A natureza, os sentimentos e os animais”, define Julia.

 

 

 

©KRANTZ, Júlia/ AUTVIS
Cadeira MIR (2008)

 

  

Paz


Uma de suas obras de destaque e que transmite bem esse mix de ergonomia somada à arte e à utilidade é o banco “Bigorna”. Feito de sucupira (madeira do cerrado), a peça é parte do mobiliário do Sesc Pinheiros. “O formato lembra um pouco uma bigorna, e eu queria produzir algo que pudesse ‘esticar ou encolher’, conforme a necessidade do cliente. Por isso, fiz perfis seriados que podem ser montados em maior ou menor número”, explica. Outra peça que chama atenção no portfólio da artista é a cadeira “MIR”, criada em Sumaúma (planta tropical). “Queria fazer uma cadeira de balanço para dois ou que funcionasse para uma pessoa ficar bem relaxada. Mir quer dizer paz, em russo, daí o nome.”

 

Julia passou dois anos morando na Holanda, onde conheceu Morito Ebine, um moveleiro japonês que ela admirava à distância. A partir daí, virou a aprendiz do mestre.
Enquanto corrigia o português de Morito nos textos sobre a arte marceneira, ele a ensinava a entender o comportamento da madeira e como deixar que a matéria-prima revelasse o que poderia ser. Os conhecimentos passados pelo mestre acompanham Julia. A designer esculpe suas ideias em um grande bloco de isopor, que em seguida é laminado. Essas lâminas são reproduzidas em MDF e, depois, utilizadas como gabarito de peças. “Basicamente, minhas técnicas envolvem a marcenaria tradicional de encaixes com uso mínimo de ferragens e marchetaria de bloco”, diz.

 

 


Sustentabilidade

A artista também é uma defensora fiel das boas práticas em relação ao meio ambiente. “Tudo o que genuinamente contribui para uma melhora ou mudança nos padrões de sustentabilidade do mundo é bem-vindo”, afirma a artista, que recebe da Amazônia espécies nativas, como ipê amarelo ou roxo, cumaru, cabreúva, catuaba e louro-faia, todas retiradas sem causar agressão à natureza.
 

Além do showroom de Julia em São Paulo, essas peças são vendidas pela galeria R 20th Century, em Nova York. “Gosto de ter minhas peças apreciadas, mas não ligo muito para o sucesso em si, quero que as pessoas se sintam bem usando, sentindo, vendo minhas peças em suas casas”, diz.

 

 

Para conhecer outras obras de Julia Krantz, CLIQUE AQUI.

Autor: Linhas Comunicação

REDES SOCIAIS AUTVIS
 

Agenda

São Paulo

Olá Maurício !

18/07 a 15/12/2020 - Centro Cultural FIESP

Saiba Mais